Mundo, 2013
vídeo 4:37"

Os Fazedores de Mundo

Paula Braga

O espaço ocupado por alguém é sempre um espaço novo, criado naquele instante. [...] Então isso que chamamos de mundo é uma convenção que tenta unificar experiências múltiplas, distintas. Cada um faz o mundo com seu corpo, na experiência individual e incompartilhável de percepção das coisas. Cada um faz o mundo com seu sopro, moldando-o, inflando-o, fazendo-o ser aquele mundo específico, que se desfará quando o fazedor de mundo não estiver mais agindo para constituir mundo. Para o sopro, murcha o mundo. Outros se inflam no mesmo instante A paisagem de mundos que existem em paralelo, mundos criados por corpos diferentes, e que chamamos, no singular, de mundo, como se fosse único, intriga Karina Zen, que adota a fotografia e o vídeo, esses supostos registros mecânicos do real, para investigar a simultaneidade de mundos. O real talvez seja uma garrafa cheia de mundos, tantos quantos forem os grãos de areia de uma paisagem praiana. No vídeo Garrafinha de Areia, a paisagem construída com areia colorida é derramada em sua multiplicidade de grãos num espaço indefinido, vazio, desorganizando a cena típica do artesanato brasileiro; o casebre à beira do mar com coqueiros e passarinhos volta a ser uma mancha informe de grãos, volta a ser o material de que é feito o mundo antes de ser moldado por um entendimento específico e singular. Reorganizando todos aqueles grãos coloridos, quantas outras cenas conseguiríamos gerar? Depende de quantos estiverem a organizar a mancha, aplicando-a a conceitos de real. [...]

Trecho do texto da exposição individual Somatório dos Meios, 2014