• Sobrevida
  • Sobrevida
  • Sobrevida
  • Sobrevida
  • Sobrevida

Parece haver um campo no limiar entre o plano e o espaço que atrai alguns artistas. Nesse campo considerado, questões ambivalentes proliferam com certa facilidade, cruzando noções de modalidade e intenção. Onde se espera uma pintura ou um desenho, pode aparecer uma escultura ou um objeto que, na mesma medida em que surge atrelado à modalidade referente, dela se distancia de maneira ubíqua, ou seja, por despistamentos ou constrangimentos a algum de seus pressupostos. As estratégias postas em ação por esses trabalhos não visam à positividade de uma expansão dos meios, necessariamente. Ou mesmo quando essa manifestação de potência acontece, ela pode trazer de contrabando, uma distância crítica que a rarefaz desde dentro.

Há, nesta exposição no Anexo 1 do Museu de Arte de Joinville, um liame que urde a estrutura instável que oscila entre o plano e o espaço. Através das obras das seis artistas, se constitui um campo de relações que em que desenho, pintura, escultura e fotografia se estendem e interpenetram. As obras restantes dessas relações carregam consigo, portanto, a história de sua constituição, que inclui a crença nos pressupostos que as antecederam como a crítica derradeira que os ultrapassam. [...]

Karina Zen, ao registrar vasos caídos sobre túmulos, inicia um jogo de rebatimentos de sentidos que aceleram na medida em que operamos essas imagens. As relações do horizontal com o vertical estabelecem o princípio do jogo: o chão, o morto, o vaso são verticalizados pelo plano do registro fotográfico. Se a horizontal é a morte, há uma sobreposição de mortes cuja ressurreição se dá quando a fotografia é colocada na parede. E a planaridade reintroduz a representação da vida, não no assunto, mas no sentido do plano. [...]

Fernando Lindote
Trecho do texto para a exposição coletiva Plano_Espaço, MAJ - Museu de Arte de Joinville, 2010